Piscar é um reflexo que, assim como respirar, realizamos de forma inconsciente.
Do ponto de vista fisiológico, o ato de piscar serve, de modo geral, para manter os olhos úmidos e protegidos. Ou seja, as pálpebras desempenham um papel fundamental na saúde ocular, e seu movimento constante de fechar e abrir se deve à ação coordenada de músculos e nervos.
Trata-se de um reflexo controlado pelo sistema nervoso que, além de se repetir cerca de 15 a 20 vezes por minuto para lubrificar e limpar os olhos, é ativado por alguns estímulos, como mudanças na intensidade da luz, poeira, pólen, algum objeto dentro do olho ou algo que vemos se aproximar.
O aumento na frequência das piscadas também pode ocorrer devido à fadiga ocular provocada pelo tempo prolongado diante das telas, sendo uma resposta biológica a esse cansaço.
Mas não são os motivos biológicos que podem nos fazer piscar mais que queremos abordar, e sim os fatores psicológicos por trás do excesso de piscadas, que têm muito a ver com a comunicação não verbal.
Como explica a equipe da Mentes Abiertas Psicología, além de seus fundamentos puramente fisiológicos, “o ato automático de piscar também tem um componente psicológico que revela informações valiosas sobre o estado emocional e cognitivo de uma pessoa”.
Os psicólogos explicam que uma mudança no ritmo das piscadas durante uma conversa pode ser um indício de ansiedade, estresse ou nervosismo, ou indicar desconforto emocional.
Piscar excessivamente pode ser uma forma de expressão emocional da qual não temos consciência e que faz parte da linguagem não verbal.
José Ignacio Fernández Torres, especialista em comunicação não verbal e autor do livro “Lenguaje corporal en serie”, explicou em seu perfil no TikTok, @soycrimonologo, que “o ritmo das piscadas aumenta quando estamos agitados, preocupados, nervosos ou inquietos e volta ao normal quando estamos relaxados”.
Ou seja, as piscadas podem aumentar tanto em frequência quanto em velocidade, dependendo do estado de ânimo de uma pessoa. É preciso, porém, levar em conta que o ambiente, o uso de lentes de contato ou a iluminação também podem nos fazer piscar mais, como mencionamos anteriormente.
Também é possível que ocorram mudanças na frequência das piscadas devido aos processos cognitivos. Mais especificamente, devido ao esforço cognitivo: já se observou que a frequência das piscadas diminui quando nos concentramos em uma tarefa mentalmente exigente ou realizamos uma atividade que requer concentração prolongada.
“A diminuição das piscadas automáticas nessas situações sugere que a carga mental e a atividade cerebral se intensificaram, o que pode afetar a resposta fisiológica do sistema visual”, explicam os especialistas da Mentes Abiertas.
O excesso de piscadas também pode estar relacionado a tiques nervosos. Como explica a neurologista Icíar Avilés-Olmos, um tique “pode ser um sintoma banal e isolado ou estar associado a outras condições”, como a síndrome de Gilles de la Tourette.
O aumento das piscadas pode ter outras causas. Por isso, se você não encontrar uma explicação aparente, o melhor é procurar um profissional de saúde para que ele faça uma avaliação e esclareça o que está acontecendo.